
A inteligência artificial deixou de ser uma promessa de filmes futuristas para se tornar uma ferramenta presente na rotina de médicos brasileiros. Seja para consultar protocolos clínicos, verificar interações medicamentosas ou auxiliar na busca por evidências científicas, a tecnologia vem ganhando espaço nos consultórios e hospitais do país. Ainda assim, especialistas destacam que seu papel é complementar: o julgamento clínico, a escuta e a relação médico-paciente seguem no centro do cuidado efetivo.
O tema estará em destaque durante o XIII Congresso Norte-Nordeste de Geriatria e Gerontologia, realizado entre os dias 4 e 6 de junho, no Hangar Centro de Convenções da Amazônia, em Belém. Na programação, a Afya participará do evento com a palestra “Medicina centrada na pessoa e IA: fortalecendo a visão sistêmica no cuidado geriátrico”, ministrada pelo médico Renato Bergallo, editor-chefe de Medicina de Família e editor médico de IA do Afya Whitebook.
Segundo Bergallo, o envelhecimento da população traz desafios que exigem uma abordagem cada vez mais integrada, considerando não apenas doenças e tratamentos, mas também aspectos familiares, emocionais e funcionais dos pacientes.
“O cuidado geriátrico é, por natureza, complexo e contextual. Um paciente idoso raramente pode ser compreendido apenas por diagnósticos ou exames. É preciso entender sua história, seus objetivos de vida, sua rede de apoio e suas limitações”, afirma.
“Os sistemas convencionais operam muito bem quando o desafio é categorizar riscos ou identificar padrões clínicos, mas frequentemente encontram dificuldades quando lidam com elementos narrativos, relacionais e contextuais, que são centrais no cuidado à pessoa idosa”, explica.
Nesse cenário, os chamados modelos de linguagem de grande escala (LLMs), tecnologia que sustenta ferramentas de IA generativa, podem representar uma mudança relevante. Esses sistemas conseguem sintetizar informações dispersas e organizar narrativas sobre a trajetória do paciente, identificando aspectos como sobrecarga do cuidador, perdas funcionais ou objetivos pessoais de saúde. Isso pode ajudar a consulta a ser planejada em torno do que realmente importa para aquela pessoa”, esclarece Bergallo.
O especialista ressalta ainda, que o uso dessas ferramentas exige cautela. “Há riscos importantes relacionados a vieses algorítmicos, especialmente em populações idosas. Nenhuma ferramenta substitui a supervisão clínica. A inteligência artificial deve ser entendida como apoio à tomada de decisão, e não como substituição do profissional”, disse o especialista.
O avanço da tecnologia na rotina médica
A percepção de Bergallo encontra respaldo em números recentes. Uma pesquisa nacional realizada pela Afya em parceria com a healthtech Conexa revelou que 78% dos médicos brasileiros já utilizam inteligência artificial em sua rotina clínica.
O levantamento ouviu 551 médicos e 511 pacientes entre novembro de 2025 e janeiro de 2026. Entre os profissionais que utilizam a tecnologia, 74% recorrem à IA para pesquisar medicamentos e interações medicamentosas, 66% usam a ferramenta como assistente de apoio a dúvidas clínicas e 58% a empregam na busca por evidências científicas.
Os dados também indicam que a supervisão humana permanece essencial. Segundo a pesquisa, 63% dos médicos afirmam já ter corrigido informações incorretas geradas por sistemas de inteligência artificial antes de utilizá-las no atendimento.
A expectativa dos profissionais é que a tecnologia continue ampliando sua participação, principalmente em atividades administrativas e burocráticas, como elaboração de relatórios, documentação clínica e organização de informações.
Na Afya Bragança, no nordeste paraense, a inteligência artificial já integra o cotidiano dos atendimentos realizados na Atenção Primária à Saúde. O médico de família e comunidade Aloiso Sampaio utiliza ferramentas como o Whitebook AI para apoiar decisões clínicas. “O uso da inteligência artificial tem se mostrado uma ferramenta complementar importante para qualificar a assistência e fortalecer a tomada de decisões baseadas em evidências científicas”, afirma.
XIII Congresso Norte-Nordeste de Geriatria e Gerontologia
Serviço: O XIII Congresso Norte-Nordeste de Geriatria e Gerontologia será realizado entre os dias 4 e 6 de junho, no Hangar Centro de Convenções da Amazônia, em Belém. A palestra “Medicina centrada na pessoa e IA: fortalecendo a visão sistêmica no cuidado geriátrico”, ministrada pelo médico Renato Bergallo, editor-chefe de Medicina de Família e editor médico de IA do Afya Whitebook, será no dia 5 de junho, de 12h20 às 13h20.
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